Yoga não é ginástica e ginástica não é Yoga
» por José Hermógenes (1921-)
Desde seu lançamento, em 1960, meu livro Autoperfeição com Hatha Yoga exibe, na página 421, o cabeçalho: “Hatha Yoga, uma ginástica…“. Estaria eu me contradizendo? Se o leitor passar quatro páginas, vai ler outro cabeçalho: “…diferente da ginástica ocidental“. Se alguém citar somente a página 42, pretendendo provar que eu afirmo ser o Hatha Yoga uma ginástica, estará sofismando, pois quando se faz uma citação de um texto fora do contexto é por mero pretexto. Das páginas 46 a 48 explico bem as diferenças que não permitem tornar o Hatha Yoga como uma ginástica entre outras.
Ginástica é um exercício, uma atividade, uma praxis. Há ginástica para a memória, para a sobrevivência do cérebro, e outras… O Hatha Yoga é um exercício, uma ginástica, uma atividade educativa, mas pouco ou quase nada tem a ver com o que se denomina “Educação Física” ou “atividade física”.
Por que “física”? Porque a ginástica física trabalha, com admirável eficiência, exclusivamente sobre o “físico”, isto é, o corpo, a matéria. O Hatha Yoga, longe disso, aprimora a incrível vastidão que é cada ser humano. Educação Física é praxis. Hatha Yoga é holopraxis. A diferença só pode ser medida em anos-luz.
Ver o ser humano apenas como seu subsistema mais denso (o corpo) equivale a ver o iceberg como uma simples pedra gelada que flutua, sem nada embaixo. O Hatha Yoga vê e cultiva o iceberg inteiro. Adianta lembrar que o maior potencial terapêutico não está no mais denso, mas no mais sutil, no nível das energias vitais, na afetividade, na mente, no Espírito, na Essência Única, que todos somos. O Hatha Yoga age sobre o corpo também, e com que eficácia!
Há uma ginástica ou cultura física que exercite a capacidade de compreender, de perdoar, de ajudar, de amar? Orar, relaxar, meditar, visualizar, embevecer-se, cultuar uma visão libertadora… fazem parte da holopraxis que é o Hatha Yoga. Tudo isso escapa a quem cuida somente do “físico”.
Todo o meu livro Autoperfeição com Hatha Yoga se encarrega de afirmar e firmar que cultivar e cultuar o “físico” é recomendável, mas não é tudo. Aliás, é quase nada.
O ser humano é um imenso iceberg. Por que insistir em o ver apenas como um “físico”, isto é, como o tão pequeno pedaço visível do insondável megassistema?…
Por que reduzir uma milenar holopraxis, uma magnânima benção divina para todos os homens, numa praxis somente “física”?!!!

Digitado por Cristiano Bezerra em 1º de julho de 2001.
Visite o site do Professor Hermógenes em www.profhermogenes.com.br
- Da 47ª edição, de 2007 (nota do Editor). [↩]
Talvez você também se interesse por:

























(3 votos, média: 3,67 de 5)




