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Yoga, caminho para Deus

Jesus de Nazaré, o Cristo - foto materializada por Sri Sathya Sai Baba (1926 - 2011)» por José Hermógenes (1921-)

A Jesus, pelo que disse como ensino, pelo que ensina sem dizer, pelo que deu de amor,
pelo que aceitou e perdoou, pelo que foi, é e será na Eternidade.

A Jesus – Amor, Verdade e Ação – que nos leva de volta ao Pai.

A meu amado Guru, Jesus, o Cristo, este livro e todo o meu ser.


Convite


… muitos são convidados, mas poucos escolhidos.
Mateus, 22:14


A hora é chegada.

Se você quiser, pode ficar onde está e como está, a perder tempo.

Professor Hermógenes na década de 1960Se você quiser, pode continuar inconsciente e sem rumo, sem rota, sem objetivo, perdendo tempo e perdendo-se.

O homem desperto, graças a longas experiências decisivas, já elegeu o seu rumo, e está irreversivelmente a caminho.

A viagem redentora é na direção de dentro, dentro de nós. Ali se encontra o Senhor, o próprio Brahman, o Ser Absoluto.

Yoga é o rompimento de grilhões, de condicionamentos e dependência. É libertação.

Yoga é vitória sobre as trevas. É iluminação.

Yoga é reencontro com o Ser-Verdade. É divinização.

Yoga é esforço, luta e vitória.

É o partir, o caminhar e o chegar.

Há modos diferentes para se vencer as distâncias na estrada para Deus.

Se o que mais nos afasta de Deus e nos vincula ao mundo é o nosso imperfeito amar, a nossa incapacidade para o verdadeiro amor, nosso caminhar tem de ser não contra o mundo, mas a favor de Deus. Será a universalização e divinização de nosso amor que poderá cortar as amarras de servidão e dar-nos, na unificação com o Deus que amamos, a libertação salvadora. A isso se chama Bhakti Yoga.

Se o que nos tem frustrado a sede de felicidade e nos tem amargurado e retido é o nosso agir egoí­stico e alienante, nosso caminhar consistirá em divinizar nossa atuação no mundo de Deus, e, assim, unir-nos ao Deus do mundo. A isso se chama Karma Yoga.

Se o que nos empobrece, e nos amesquinha, é a ilusão de sermos anti-Deus, padecendo uma distância frustradora e imensa, nosso caminhar precisa ser no rumo da sabedoria, buscando a “Verdade que liberta”. A isso se chama Jñana Yoga.

De um lado, o mau amor, a má ação e o mau conhecimento nos fazem
egoí­stas e sofredores. De outro, o Yoga, como processo integral de divinização do amar, do atuar e do conhecer, é caminho redentor.

Não é exatamente isso o que o Cristo ensinou, exemplificando?

Ele insistiu: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos“.

Ele determinou: “Aquilo que quereis que vos façam, fazei vós aos outros“.

Ele nos prometeu: “Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará“.

Ele nos acordou com benditos açoites de Sua Verdade. Desafiou-nos a “tomar a cruz” e segui-lo. Foi-nos exemplo perfeito de discernimento (viveka), de desapego (vairagya), de devoção-amor (bhakti), de ação perfeita (karma), de sabedoria (jñana), de bravura e resignação (tapas) e de auto-entrega ao Pai (Ishvarapranidhana)…

Eis porque peço a Jesus, o Cristo, que me tome como um shela, que seja meu divino Guru.

Vamos, você e eu, realizar o Yoga que o Cristo sempre foi e jamais deixará de ser?

Vamos pedir aos grandes sábios e santos da Índia que nos elucidem sobre o que ainda não percebemos perfeitamente na imortal mensagem cósmica de Jesus?

Vamos pedir a Jesus, que nos dá amor, que nos ajude a entender Krishna, Buddha e todos os outros que também ensinaram?

Vamos romper barreiras, e realizar uma vida ecumênica, no bendito redil do Pastor?

Vamos, amigo(a), aprender e praticar, até chegarmos ao Nirvana e podermos dizer: “Eu e o Pai somos Um“!


Pórtico

A Conversão

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida
João, 14:16



A viagem


Não sigas a via do mal! Não cultives a preguiça do espí­rito!
Não corras atrás de idéias falsas!
Não sejas dos que se retardam no caminho!

Dhammapada, 167


A viagem tem de ser consciente.

Viagem inconsciente é aquela que sai em várias direções sem conseguir chegar a nenhuma.

É bom lembrar que o tempo é escasso e, perdido, jamais será recuperado.

A viagem tem de ser voluntária.

Voluntária é aquela em que, lucidamente, elegemos e assumimos: o Rumo, a Meta e o Método.

Não há tempo sobrando!

A hora é chegada.


Se você quiser, pode ficar onde está a perder tempo e ser colhido pela ruí­na.

Se você quiser, pode continuar inconsciente, sem rumo, sem rota, sem objetivo, perdendo tempo e perdendo-se.

Você está parado? Você está andando sem destino certo? Seu caminhar é saindo, afastando-se, alienando-se, desligando-se, exilando-se, excomungando-se?… Ou você, tendo-se afastado demais, já começou a querer voltar, a religar-se?

É a ignorância que faz as multidões, nos campos fantasmas das ilusões, continuarem estagnadas ou saí­rem, acicatadas pelo gozo ou pela dor, a se desgastarem em andanças sem caminhos, em trágico e alucinante afastamento.

O homem sábio, graças a longas, profundas e decisivas experiências, já elegeu seu rumo, e está irremediavelmente a caminho.

É sábio por saber por que está caminhando. É sábio porque sabe por onde vai. É sábio por saber onde se encontra, por saber o que ainda é, e por vislumbrar o que virá a ser. É sábio por consciente e voluntariamente caminhar.

Em sua ilusão, o ignorante assim pensa: “Tenho de aumentar meus bens, melhorar minha posição, conquistar poder, ganhar prestí­gio… Só assim serei feliz”. Em seu estúpido sonhar, sente-se seguro por sua religião, que é única; por seu partido, que é o melhor; por sua ideologia, que é a mais respeitável; por seu time de futebol, que é o campeão… E é assim que estanca, ou aprofunda ainda mais sua identificação com o mundo perecí­vel, que ainda mais o consome e exaure, ainda mais o perde e prende.

A fascinação do poder, dos haveres, dos afazeres e das crenças que lhe convêm fecha seus olhos e bloqueia um salvador conhecimento de si mesmo. Suas fragilidades, suas falibilidades e suas inseguranças ficam disfarçadas pelas fugazes vitórias dos instrumentos de seu egoí­smo. A miséria existencial continua a existir emboscada e, cedo ou tarde, derrubando os biombos dos engodos, se manifesta, maltrata, arrasa… e traz “choro e ranger de dentes”.

Você gosta de histórias? Então, lá vai uma:

Vestindo-se para ir dançar, a alma da jovem já era uma festa, antegozando tudo quanto uma festa promete à imaginação e à expectativa dos jovens.

Nenhuma festa, porém, é somente festa, bem como nenhum luto, somente tristezas.

Na festa, a jovem gozou estimulantes alegrias, mas padeceu frustrações dolorosas…

Dançou e sorriu. Foi preterida e chorou. Música e sexo, fumo e álcool intoxicaram-na, mas não chegaram a disfarçar ou amenizar uma sensação de vazio e inutilidade de tantos decibéis das guitarras, de tantas conversas perversas, de tantos hipócritas e grosseiros galanteios egoí­sticos.

Para aquela alma sensí­vel, o tédio e as lágrimas acabaram com a diversão, e, simultaneamente, fizeram-na lembrar-se de sua casa, tão tranquila, tão pura, tão repousante, tão querida…

Para ela acabara a diversão, e fez-se a caminho, para o abrigo do lar.

Para os outros, a diversão continuou, dominando-os, fustigando-os, fatigando-os, mas divertindo-os, fazendo-os esquecer o lar.

Acabei de contar-lhe a história de um despertamento, de uma conversão.

O mundo – samsara, dizem os budistas – é a festa que diverte. Alguns despertam e, enfastiados de diversão, convertem-se. Os discí­pulos de Cristo falam de arrependimento como condição para “ressurgir dos mortos”.

Você ainda se sente feliz na diversão ou já sente o libertador apelo da conversão?

Conversão é viagem de retorno à “casa”.

Diversão é viagem de alienação, quando a casa é deixada e esquecida à distância e, na distância, fica perdida.

Os que se convertem dizem com o Cristo: “meu Reino não é deste mundo”.

Para um desperto, o que é o Reino?

O Reino é a “casa do Pai”. É o próprio Deus. O Deus que os convertidos procuram reencontrar, e os divertidos, que O abandonaram, esqueceram.

Mas, “onde” está o Reino?

Ainda segundo o Cristo, dentro de nós mesmos.

A viagem redentora é na direção de dentro, dentro de nós. Ali se encontra o Senhor, o próprio Brahman, o Ser Absoluto, não obstante nossa aparente miséria, nossa aparente imperfeição, nossa aparente pequenez, nossas forças miúdas, nossa reduzida visão…


Yoga


Aquele que se tenha desapegado dos contatos externos encontra a felicidade em Atman;
tendo alcançado a união (
Yoga) com Brahman, desfruta a bem-aventurança eterna.
Bhagavad Gita, V:21


O que tem o Yoga com tudo isso?

Yoga é exatamente a viagem dos que, intoxicados de divertimento, acordados pelas abençoadas pancadas das vicissitudes, saudosos da “casa do Pai”, já decisivamente convertidos, se tornaram aspirantes ao Eterno.

Yoga é o caminho e o caminhar que conduzem a Deus.

Você, ainda estranhando, poderia perguntar: “Como pode uma ginástica fazer tanto?!”.

Yoga não é ginástica. Nenhuma ginástica, só, é Yoga. Há uma ginástica muito inteligente chamada Hatha Yoga que ajuda o caminhante, dando-lhe adequadas condições fí­sicas e mentais para que vença as obstruções e as fadigas do caminhar. Mas é apenas um aspecto particular de todo um sistema que, alquimicamente, leva a alma a Deus.

É natural que você ainda tenha uma indagação a fazer: “Yoga é religião?”.

É re-ligação, sim. Re-ligação da alma individual com a Alma Universal, do homem finito com o Infinito, do homem imperfeito com a Perfeição, do faminto com o Pão, do sedento com a Água Viva, do alienado com o Reino… Yoga é aproximação do que está longe. Junção do fragmento disperso. Reintegração do que se vê desintegrado. Por isso, é redenção. Yoga é a vitória sobre as trevas – iluminação. Yoga é o rompimento de grilhões de condicionamentos e dependências – libertação. É o reencontro com o Ser-Verdade. É deslumbramento e o alcance da Consciência Total. É fruição da Bem-Aventurança. É divinização.

Yoga é esforço, ação e vitória.

É o partir, o caminhar e o chegar.

É esclarecer-se.

É servir.

É amar.

É esclarecer-se, servir e amar até atingir a ansiada “casa”. Até Deus.

Enquanto prática, Yoga é método.

Enquanto sumir-se e consumir-se em Deus, é meta.

O yogi é aquele que já foi festivamente recebido pelo Pai na “comunhão dos santos”, e, no acolhedor abraço da Graça do Pai, que morreu como um eu e ressuscitou como Deus.

Yogin é aquele que, tendo despertado, visto a impermanência e a falência dos valores mundanos, está a caminho, pagando o preço dos desafios, das fadigas, das quedas, de todos os sacrifí­cios, mas sempre avançando, sempre querendo chegar.

Yoga: caminho para Deus




Texto extraí­do das páginas 19 a 33 da 12ª edição, de 1996, do livro Yoga: caminho para Deus (1984), de José Hermógenes (Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 14 de junho de 2001.

Visite o site do Professor Hermógenes em www.profhermogenes.com.br



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