Qual é o futuro do Yoga?
» por Subhashni Arora
O desenvolvimento tecnológico moderno, crescente e ilimitado, nos põe face a face com o poder humano frente ao domínio da natureza. Somos cada vez mais senhores das comunicações à distância, das conquistas espaciais, do aproveitamento racional do tempo, da juventude prolongada e da morte adiada. Parece que nossa ambição de conquistas tecnológicas desconhece qualquer limite. Temos a nosso favor todos os frutos desse desenvolvimento. Podemos nos comunicar com pessoas de todas as partes e de diferentes culturas do mundo e ter acesso a qualquer tipo de conhecimento através da internet. Temos uma indústria farmacêutica gigante que alivia nosso sofrimento físico e que promete aliviar também o nosso sofrimento psíquico. Suplementos alimentares garantem um equilíbrio nutricional perfeito para o funcionamento do nosso organismo. As intervenções médicas são cada vez mais especializadas e a busca pela cura de doenças, antes fatais, nos dão esperança do prolongamento da nossa existência.
O Ocidente é mestre no desenvolvimento de tudo aquilo que tende a facilitar a vida humana e economizar o tempo, tornando-o mais produtivo. Ou seja, busca-se mais resultado do trabalho com menos esforço e tempo. E assim a humanidade se desenvolve. Por que então praticar Yoga neste mundo tão rápido, pragmático e imediatista?
Talvez porque o mundo moderno seja o mundo das contradições. A depressão é o mal do século que, ironicamente, convive lado a lado com uma intensa e extravagante indústria do entretenimento e do lazer, movida pela busca incessante de um eterno estado de euforia. A pergunta é: “por que não estamos felizes?”. Se dependêssemos apenas de pílulas para garantir nossa felicidade, estaríamos plenamente satisfeitos, pois o “trio maravilha”, ou seja, prozac, viagra e xenical, nos aliviariam das dores da alma, das dificuldades sexuais e nos garantiria o corpo de modelo, tão sonhado e arduamente almejado pela maioria dos pobres mortais.
Diz o velho ditado que, se não encontramos nosso caminho (nosso sadhana) pelo amor, o encontramos pela dor. O “trio maravilha”, ou a “santíssima trindade” da modernidade, parece que realmente não está dando conta do recado. Parece que existe algo mais que a eterna busca pelo dinheiro, pelos bens materiais, pelo status profissional, pelo corpo perfeito, pelos prazeres dos sentidos, pela juventude infinita.
Estamos em Kali Yuga, era do declínio espiritual. Enquanto a ciência avança a passos largos em todas as esferas do saber humano, o sofrimento psíquico, ou, podemos pensar, o sofrimento da alma, se aprofunda, e nos sinaliza que as aflições humanas não são sanadas com conquistas externas. O desenvolvimento tecnológico e econômico certamente é vital para sobrevivência da humanidade, sobretudo na garantia de condições que possibilitem a existência humana com dignidade e com usufruto total de suas potencialidades na vida terrena. No entanto, os exageros do mundo moderno tendem a nos afastar de nós mesmos. Yoga busca a nossa evolução enquanto seres humanos. O desenvolvimento externo de nada adianta se não é acompanhado pelo desenvolvimento interno. Yoga, após milênios de existência, adentrou no universo ocidental, e tem, cada vez mais, praticantes e estudiosos entusiasmados com as descobertas interiores desse caminho. A vida moderna parece desumanizar o ser humano, através de relações sociais utilitárias e mecanizadas, permeadas por interesse e pragmatismo. Banalizamos o cotidiano e estamos retirando todos os rituais que os antigos praticavam em respeito à sacralidade da vida. Yoga nos propõe um mergulho em nós mesmos em busca da nossa essência espiritual, que nos leva a reconhecer no outro a existência dessa mesma essência que nos sustenta. O futuro do Yoga é desafiante, pois trilhar o caminho do auto-conhecimento em um mundo cada vez mais voltado para o auto-desconhecimento pressupõe muito esforço pessoal para manter-se em pé frente às turbulências de Kali Yuga. Estamos diante de um desafio, que nos instiga a harmonizar o progressivo desenvolvimento externo que nos circunda, através dos ganhos e das dificuldades que isso tudo gera, com o nosso crescimento interno, que pressupõe um caminho de interioridade, um recolhimento dos sentidos.

Graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará – UFC (1994) e em Psicologia pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR (2003), com Especialização em Família: Uma Abordagem Sistêmica, pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR (em andamento), Subhashni Arora possui a Formação Holística de Base – UNIPAZ/CE (1999), Formação em Tanatologia (2002), especialização em Yoga pela Faculdade de Educação Física da UniFMU – SP (2004), Formação em Yoga Integrativa pelo Centro de Yoga Montanha Encantada – SC (2005) e Formação em Yogaterapia pelo Centro de Yoga Montanha Encantada – SC (2005). É instrutora de Yoga no Instituto Indiano de Yoga Vivekananda (desde 1996), instrutora no Curso Livre de Formação de Instrutores de Yoga do CECRAN (no Cariri e em Fortaleza) e no Curso de Formação de Professores de Yoga do Núcleo de Yoga da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN (2005), psicóloga clínica com orientação sistêmica da ONG Raízes – EFAC, desde 2004, e professora da Faculdade Ateneu no Curso de Pós-Graduação em Terapias Complementares, desde 2006.

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Em 1 de dezembro de 2008, segunda-feira, às 10:09, Dulcinéa escreveu:

Qual o nome da psicóloga e professora de Yoga? Essa página não apresenta.
Busquei no Google o nome e o fone do Instituto Raízes e não encontrei. Procuro uma terapeuta.
Muito grata.
Em 1 de dezembro de 2008, segunda-feira, às 10:16, Cristiano Bezerra escreveu:

Olá, Dulcinéia. O nome da autora desse artigo é Subhashni Arora , e ele aparece acima por duas vezes: logo abaixo do título, e antes do início do texto propriamente dito, e nas informações sobre ela no rodapé do post, acima desses comentários. Quanto ao telefone do Instituto Raízes, sugiro que você escreva diretamente para a Subhashni: subha@uol.com.br