Prece do jñanin
» por José Hermógenes (1921-)
Sei que estás manifesto nas aparências, mas eu Te busco Realidade.
Sei que também no fenômeno Tu estás, mas eu Te quero Nômeno.
Sei que imanente estás no reino das formas, mas ando em busca do Informal.
Sei que no reino dos nomes Te encontras, mas é o Inominável o objeto de minha busca.
Conheço o universo, mas ando Te procurando a Ti, ó, Uno.
Chega a meus sentidos a presença do multiforme, do multissonoro, do multifragrante, do multiperceptível, mas bem sei que Te encontras além de todos os múltiplos, pois És o Único.
Sei que estás aqui, ali, além, aquém… Mas é fora dos limites e das dimensões que procuro conhecer-Te.
Sei de muitas definições, das mil que andaram Te atribuindo, mas não é um Deus definível, um Deus de atributos que procuro.
Procuro o Inqualificável, o Indefinível, o Insondável, o Inefável Ser.
Quem És?
Que És?
Ajuda-me, Realidade, a exumar-Te dentre tantas aparências, tantos conceitos, tantas formas e tantos nomes.
Ajuda-me a transmutar o limitado e periférico conhecer em infinito e profundo saber.
Ajuda-me a Realizar o que És.
Ajuda-me a Realizar o que Eu Sou.
Ajuda-me a perder-me, redento, no Infinito Eterno do Ser que Eu Sou e que Tu És.
Salva-me, Presença, da ignorância escravizante…
Eu Te peço, meu Deus, destrói essa distância.
Liberta-me da ilusão que nos afasta.

Texto extraído das páginas 160 e 161 da 12ª edição, de 1996, do livro Yoga: caminho para Deus (1984), de José Hermógenes (Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 14 de junho de 2001.
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