Prece do bhakta
» por José Hermógenes (1921-)
Sou ovelha desgarrada. Vem, meu Pastor, achar-me.
Sou um filho retornando ao Lar. Concede-me a graça de receber-me, meu Pai.
Sou frágil criança perdida na multidão. Vem, Mãe Divina, apanhar-me.
Sou vazio. Vem, Plenitude, preencher-me.
Sou pobre. Vem, Riqueza Pura, enriquecer-me.
Sou peregrino buscando o perdido rumo, na treva e na distância. Vem, Luz, dar-me direção.
Andando estou há muitos milênios, trazendo em mim a ânsia por chegar. Mas as forças já não são tantas… Vem, Alento, reerguer-me.
Pai, Mãe, Amor, Alento e Luz, sinto Tua ausência. Teu silêncio dói. Tua distância angustia.
Concede-me Tua graça.
Desvela-Te.
Faze-Te presença a meus olhos, ainda na penumbra.
Faze-Te canção a meus ouvidos vazios.
Amor Divino, nutre meu coração necessitado.
Paz Infinita, afasta meus conflitos.
Sabedoria Absoluta, ilumina-me.
Água Viva, dessedenta-me.
Porta, abre-te.
Dolorida ausência, faze-te Presença.
Deus, liberta-me. Salva-me…
Deus, ensina-me a verdadeira devoção.
Mostra-Te a mim em tudo.
Aparece-me como o Todo.
Corrige meu humano amor ainda mesquinho, ainda apegado, ainda limitado, ainda míope…
Pai, Mãe, Amor… perdoa meu imperfeito amar.
Torna-me um bem-aventurado devoto.

Texto extraído das páginas 121 a 122 da 12ª edição, de 1996, do livro Yoga: caminho para Deus (1984), de José Hermógenes (Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 14 de junho de 2001.
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