Por que fazer uma prática tão forte como o Ashtanga Vinyasa Yoga?

» por Camila Reitz
Quando fiz a minha primeira prática de Ashtanga Vinyasa Yoga, pensei que aquilo não era para seres humanos. Não acreditei que a série começava com aqueles saltos do Surya namaskar (saudação ao Sol), e, pior, que demorasse tanto para terminar. E estou escrevendo este texto para explicar porque me apaixonei por essa prática depois de conhecê-la melhor. Durante algum tempo, muitas perguntas surgiram na minha cabeça, coisas do tipo “para que isso”, “por que seguir uma série”, “porque os bandhas, a respiração ujjayi, todos aqueles drshtis“?
Hoje, depois de alguns anos praticando mais forte do que nunca, posso dizer que tenho todas essas respostas. Sinto meu corpo forte e equilibrado, meu nível de energia aumentou muito, não me sinto tão cansada para fazer tudo o que tenho que fazer durante o dia, a minha digestão melhorou e tenho sensações diferentes do meu corpo energético. Me sinto saudável e feliz. Não é por acaso que a primeira série do Ashtanga Vinyasa Yoga se chama Yogachikitsa (Yogaterapia), pois ela realmente outorga a saúde do corpo e da mente. E o que é mais impressionante, termino a série sem me cansar e feliz da vida.
Todos os dias fazemos coisas iguais, mas de maneira diferente. Escovamos os dentes todos os dias, no entanto as coisas não se repetem da mesma forma. Quando paramos para fazer o sadhana, repetindo a série incansavelmente, é possível perceber o que está acontecendo com o corpo e a mente hoje. E perceber que cada um dos episódios de nossas vidas se refletem no que estamos sentindo agora, se refletem em quem somos agora. Outro aspecto muito importante da repetição da série é que não é necessário parar para pensar que asanas fazer durante a prática: é só fazer a série e voltar a atenção para a respiração ujjayi, os bandhas (contrações), os drstis (focos da visão), os sentimentos e os pensamentos que forem surgindo. É só manter a fluidez da prática e a consciência alerta ao que está acontecendo. O ujjayi pranayama durante toda a prática tem a mesma função da repetição de um mantra (manas = mente, tra = instrumento; mantra = instrumento do pensamento), deixa a mente calma e a atenção no momento presente, pois é quase impossível fazer as posturas prestanto atenção na respiração e pensar em algo que não seja a prática.
Os bandhas também tem a função de manter a consciência presente no momento, pois não acontece espontaneamente, sendo preciso enviar um comando mental o tempo todo para a manutenção do mula bandha e do uddiyana bandha. E quando a pratica é feita com a execução dos bandhas é muito mais fácil dar os saltos e fazer os asanas de força, e no final do sadhana é possível perceber claramente seus efeitos no corpo sutil.
Uma das maneiras de nos distrairmos na prática é com o olhar, olhando os objetos em volta, os colegas praticando na mesma turma, imperfeições na pele, unha comprida, enfim, o olhar está sempre nos enviando informações sobre o que acontece do lado de fora do nosso corpo. No entanto, esse sadhana está montado para que possamos observar o que esta acontecendo dentro do corpo, quer nos mostrar nosso universo interior. Essa é uma das razões pelas quais utilizamos os drstis. Olhar para a ponta do nariz confunde tanto o pensamento que acaba voltando a atenção para o que esta acontecendo no momento. Geralmente, ao fazer nasagra drsti, acabamos observando a respiração. E assim a consciência fica presente.
Essas foram as visões e as percepções que tenho dessa prática. No entanto, somente praticando constantemente é possível perceber os efeitos e o significado das técnicas agrupadas do método do Ashtanga Vinyasa Yoga. Determinadas horas na prática podem ser difíceis, exatamente como na vida real: em certos momentos você pode se sentir cansado de repetir a mesma coisa. O importante é deixar a prática fluir, o corpo aquecer e se abrir para depois perceber claramente os benefícios nos planos energético, mental e espiritual.
Texto extraído da página www.eyoga.com.br.
Camila Reitz é quem dirige o Yogashala, escola que fundou em Florianópolis no ano de 1998. Nasceu em São Paulo em 1973 e mudou-se para Florianópolis em 1991, aos 18 anos de idade, quando iniciou seu caminho no Yoga. Viajou por três vezes à Índia, onde aprendeu com vários professores de diferentes linhas de Yoga. No Brasil estudou com Pedro Kupfer, Maria Laura Packer, Marco Schultz, Matthew Vollmer e Danny Paradise, entre outros renomados professores. Concluiu sua formação em Ashtanga Yoga com Larry Schultz e Clayton Horton no ano de 1999 em San Francisco, Califórnia. Formou-se em Educação Física pela UDESC em 2002. Participou do curso para praticantes avançados de Ashtanga Vinyasa Yoga com Dena Kingsberg em Byron Bay, Austrália, em 2002 e 2003, e concluiu a Formação em Vinyasa Yoga com David Lurey em 2009. É estudante de Vedanta, filosofia que dá sentido a sua vida. Ministra cursos de Yoga no Brasil e no exterior. Seu objetivo como professora é fazer com que os praticantes se apaixonem pela prática e, através dela, se tornem livres para viver seu potencial. Saiba mais sobre sua Formação em Yoga em www.yogashala.com.br/formacao. Camila também desenvolve a marca de roupas para Yoga, Devi active yogawear.
Visite o site do Yogashala, da professora Camila Reitz, em www.yogashala.com.br
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