Que é que põe o homem acima da animalidade? Não é o poder conhecer?!...
Haverá finalidade mais alta para a existência do que
buscar conhecer Aquilo que em nós conhece?!
José Hermógenes (1921-), em Yoga: caminho para Deus (1984)
Maria Bicalho, esposa de um dos mais respeitados professores de Yoga do Brasil, foi atropelada por um caminhão quando o casal visitava o ashram de Sri Sathya Sai Baba, mestre de ambos, em janeiro de 1993, na Índia. Uma prova difícil, que deu a Hermógenes a oportunidade de pôr em prática a filosofia de vida que já professava há mais de 30 anos.
O Sr. não acredita mais na Medicina?
Quando proponho a Medicina sem terapeuta, sem médico, sem remédios, não estou contestando a alopatia e a homeopatia, pois elas todas são necessárias. A Medicina alopática me salvou da tuberculose. Não posso negá-la. Minha posição é que a Medicina tem se especializado em cuidar das doenças, e a Yogaterapia vai cuidar da saúde. Mas é verdade que podemos precisar da Medicina a qualquer momento…
Em 1992, aos 71 anos, o professor José Hermógenes é o retrato vivo do poder terapêutico do método de Yoga por ele desenvolvido, o qual fez chegar a mais de um milhão de leitores através de 23 livros publicados. Com o lançamento do livro Saúde Plena: Yogaterapia (Editora Nova Era), ele comemora três décadas de atividades na área alternativa.
De que trata seu livro Saúde Plena: Yogaterapia?
Esse livro coroa os 30 anos de fundação da Academia Hermógenes de Yoga e os 32 anos desde o lançamento do meu primeiro livro, Autoperfeição com Hatha Yoga, agora em sua 32a edição. Foram 30 anos de vitória. Em Saúde Plena: Yogaterapia (Editora Nova Era), relatei dezenas de casos de cura das doenças mais variadas, e até de doentes terminais. Eles testemunharam o poder terapêutico admirável do método de Yoga que desenvolvi e apresentei ao público nos mais de 20 livros que escrevi durante esses anos todos. O caso mais fantástico é o da cura de um doente terminal, Severino Araújo, um cientista, dirigente da FAO (Food and Agricultural Organization, da ONU) para a América Latina. Na linguagem doce de meu livro Mergulho na Paz, de poesia mística, ele encontrou uma explicação para a vida que fez seus sintomas desaparecerem do dia para a noite. Isso veio confirmar minha suspeita de que a prática de asanas, as posturas, é muito eficiente, mas infinitamente mais poderosa, em seu potencial terapêutico, é a cosmovisão da filosofia vêdica. Esse homem entrou numa vivência profunda, que hoje é conhecida como “estado quântico”. O nível quântico, descoberto pela física moderna, é aquele no qual o tempo, o espaço e a causalidade desaparecem. A gente vive na plenitude da Unidade que todos nós somos. E, no caso, a cura pode ser instantânea, um milagre.
Bênção é uma palavra e um sentimento que vêm sempre à minha mente quando penso sobre a forma como fui parar na Índia, com a esperança de aprender Vedanta, que na realidade eu nem sabia o que era exatamente. Eu poderia ter encontrado qualquer professor, que poderia ter me ensinado algo que me fizesse mais confusa, ou então me orientado para uma devoção fanática. Algo que me fizesse perder a objetividade. E como poderia eu fazer algum julgamento e escolha?! Dentro da ignorância, como se pode discriminar para onde ir e com quem estudar?! Considero, portanto, que somente bênção, ou muito punya, levou-me ao Svami Dayanandaji. E quanto mais não foi necessário para que eu pudesse lá ficar até aprender completa e adequadamente!!
Svamiji é uma benção para todos os seus alunos, não só por ser compreensível, tolerante e carinhoso com todos, mas principalmente pela maneira clara com que ele ensina desde o começo, tornando claro o fato de Vedanta ser um meio de conhecimento, pramana, e não uma escola filosófica.
A palavra sânscrita acharya é geralmente traduzida por “professor” ou “mestre”. Frequentemente é acrescentada ao nome de uma pessoa, denotando respeito, como no caso de Śankaracharya.
Acharya deriva da raiz car, que significa “seguir” ou “fazer com que outros sigam”. A esta raiz vem prefixado a, significando “completamente ou totalmente”, e, no final, acrescenta-se o afixo nominal de agente nyatya, que quer dizer “aquele que”. Esses elementos juntos formam a palavra acharya, cujo significado é “aquele que segue as escrituras (dharma) completamente” e/ou “aquele que leva os outros a segui-las”. Assim, a palavra implica em mais do que a mera tradução “professor”; significa também aquele que segue o que ensina. Por aí se vê que há dois aspectos básicos do significado de acharya: por um lado, ele é aquele que ensina; por outro, é o exemplo daquilo que ensina.
Esse duplo aspecto do significado é devido ao assunto ensinado. Um acharya de Vedanta tenta fazer o aluno ver a verdade de si mesmo através do uso das escrituras. Se o próprio professor não for capaz de ver a verdade, suas palavras nada mais serão do que mera repetição das palavras das escrituras.
pela Equipe do Vidya Mandir Navaratri é uma festa muito popular na Índia e, como toda celebração hindu, tem um simbolismo rico. São nove noites (nava = nove + ratri = noite) dedicadas às três Devis (deidades femininas) principais: Durga, Lakshmi e Sarasvati.
Durga é uma forma feroz e destruidora de Parvati, a esposa de Shiva. Contam os Puranas que Durga surgiu da união de todas as forças dos Devas (deidades masculinas) que individual e coletivamente não puderam vencer o asura (demônio) Mahisasura, que, em forma de búfalo, oprimia deuses e homens.
Este livro é mais uma tentativa de estimular pensamento, reflexão e esforço que possam viabilizar a libertação d’Aquilo que, dentro de cada pessoa, cintila como faísca do Supremo Sol, mas que, envolto nos densos véus opacos de todas as manifestações do egoísmo, é como se não existisse.
Mas existe mesmo, pois é a própria Vida.
Aprendi e tenho certeza: dentro de cada ser humano, o altar de Deus está iluminado pelo Amor, e é reino de pureza e luz, de liberdade e poder, de paz e perfeição.
Sei – e você também sabe – que todo esse tesouro está como que enterrado, e sem vez. É como se não existisse.
por José Hermógenes (1921-) Sei muito bem do drama dos pássaros,
a disputar audiência
com os grandes ruídos do tráfego.
Agradecimento
As primeiras edições foram êxito de livraria. Foram consumidas. A sociedade de consumo aprovou-as! Como pode ter acontecido, se não fiz concessões, não adocei a pílula e fiz frontal e claramente as contestações que supus necessárias?!