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Entrevista com Renato Turla à revista Prana Yoga Journal


Renato Turla ensinandowww.eyoga.com.br
por Greice Costa, Madu Cabral e Renata Reif

Prana Yoga Journal – Você foi campeão de karate. Sempre foi uma pessoa de muitas atividades?

Renato Turla - Sempre, comecei quando tinha onze anos com a ginástica artí­stica. Com treze anos, meu corpo estava mais alto, mas os músculos estavam curtos por causa da ginástica. Isso não era bom porque tinha muitas cãimbras. Fiz judo durante dois anos e meio e depois segui com o karate. Com 23 anos, entrei na equipe italiana e terminei a minha última competição com 31 anos; fiquei mais dois anos na equipe italiana porque meu ex-companheiro viajou na época da represália, e isso dava mais confiança aos militares. Aos 26 anos, comecei o Yoga para aprimorar a minha prática. Era um Yoga nada profundo, eu o utilizava para uma melhoria na atividade muscular e articular do joelho e da cabeça do fêmur. Foi então que comecei a perceber que era interessante.

Renato Turla ensinado trikonasana


PYJ: Como o Yoga entrou na sua vida? Houve alguém que o introduziu?

Absolutamente não. Um dia fui a Bolonha e passei pela Feira do Livro e vi o Light on Yoga do Iyengar, teoria e prática. Para mim era como uma outra competição, e para praticar, eu entendi de súbito que não era um problema de execução fí­sica, mas um mundo completo. Entendi que a mente tinha uma posição importante e eu, como muitos das artes marciais, tinha uma mente preparada ao sacrifí­cio e í  prática. Pensei que a mente do Yoga provavelmente não tinha muita diferença da prática marcial, que é tratar o corpo de uma maneira que deixe a mente mais clara. Comecei com muita naturalidade, sem expectativa particular, porque no meu campo de esporte já tinha muitas coisas realizadas, e então pensei que era o momento de fazer algo só para mim. Estava cansado de toda aquela competição, de mostrar e demonstrar. Então decidi: agora vou praticar só para mim. Primo por minha prática pessoal.


Renato Turla praticando


PYJ: Quais foram os benefí­cios do Yoga no karate e para si?

Para mim, o benefí­cio mental da arte marcial e do Yoga não é o mesmo, mas é muito parecido. Os dois têm o mesmo princí­pio: sacrificar o corpo para elevar a mente e o espí­rito. É possí­vel tocar o espí­rito com a técnica. Isso existe tanto nas artes marciais como no Yoga. Porque antigamente, na arte marcial, não havia a necessidade de competir para mostrar, era algo pessoal, uma forma de elevar o espí­rito. No Yoga isso é sempre aplicado, mas muita gente faz confusão: um corpo que trabalha bem é mais importante que um caminho ou uma atividade individual, uma experiência. Muita gente não tem essa experiência porque não pensa na prática como individual e sim nos asanas. Pratica e passa adiante para uma outra pessoa. Essa passagem é muito pobre porque não tem a experiência hindu.


Renato Turla praticando


PYJ: Você acha que este é o melhor caminho para não se machucar?

Eu creio que sim, mas para que não haja um problema no corpo, é necessário haver uma boa técnica. Porque a técnica é a parte mais importante. Se a técnica não é boa e se está na juventude, não há problema, mas quando essa se acaba, e você trabalha o corpo de maneira imprópria, o mesmo sente. Mas com uma boa técnica, é preciso ter uma cabeça muito sutil e um espí­rito forte, porque normalmente a técnica errada faz com que se trabalhe em uma condição muito mais difí­cil em que a mente acerta sempre, porque esta faz com que se trabalhe de maneira fácil. Isso é um exemplo de como cabeça tem que ser forte em companhia do corpo. O Yoga prima por representar essa união. Yoga faz com que o corpo sub-jugue a cabeça. A cabeça comanda o corpo, e quando o contrário ocorre, a cabeça deve estabelecer um diálogo com o corpo e determinar qual a estrada melhor, que não é uma estrada que termina em uma aula, pois isso requer muito tempo. Nesse muito tempo, a pessoa está em uma fase de observar, porque o seu movimento será sempre bom e faz isso, não para utilizar, mas para si mesma. Dessa maneira, estará sempre tranquila, contente, feliz. Você pode dar isso ao aluno, mas através da sua experiência que certamente não é mesma da dele.


Renato Turla praticando


PYJ: Essa técnica pode te proteger também do karate?

Mas karate não te protege nunca, e todo mundo que vem das artes marciais tem muitos problemas. O Yoga é para mim uma arte muito equilibrada, perfeitamente equilibrada. Porque muita gente me pergunta o que deve praticar ou diz que pratica Viniyasa Flow. Eu pratico Vinyasa, bom, tudo é bom, mas a fisiologia é uma única, tem que trabalhar em sintonia com seu corpo, estar fisiologicamente atento. Essa é a primeira coisa importante, depois se pode fazer de tudo. Mas é preciso estar atento que quando se trabalha com mais peso no joelho e este não está perfeitamente extendido, tanto o músculo quanto o ligamento irão sofrer. Por que não praticar o Yoga amando o corpo? O corpo por dentro tem um funcionamento equilibrado, tem um contato de amor. Essa é a única linguagem que o corpo consegue entender, nenhuma outra.


Renato Turla ensinado


(continua…)


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