Bhakti Yoga, o amor que liberta
» por José Hermógenes (1921-)
Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu pensamento.
Esse é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a esse, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Desses dois mandamentos depende toda a Lei dos profetas.
Mateus, 22:37-39
Chama-se Bhakti Yoga a conquista do Reino através da adoração e do amor.
Bhakta é o devoto que, na adoração de uma imagem, de uma expressão sensível de Deus – Cristo, Buddha, Krishna, Sai Baba, Kali, a Virgem… – se extasia.
O devoto goza a mais intensa felicidade quando abrasado no amor Divino.
É amando e adorando que se esquece do ego, se esquece de tudo, e exulta, bem-aventurado, consumido e arrebatado de gozo.
O Amor reduz a distância.
A adoração unifica o devoto com o objeto de sua devoção.
Humilde e amoroso, o bhakta vê Deus como Pai, Mãe, Amante, Filho, Amigo…
Quando ele ora, sua prece é declaração de amor.
Ele medita e, meditando, busca o Amado.
Só o bhakta sabe amar tudo e todos e, amando tudo e todos, ama o Todo.
Bhakti é amor irrestrito de doação total. Nada pede. Nada espera. Nada reclama. Não aspira reciprocidade nem mesmo o gozo intenso resultante do intenso amar.
Os Mestres alertam o bhakta quanto aos desvios e a que desequilíbrio a devoção pode levá-lo.
Se não houver viveka, isto é, discernimento, o bhakta corre o risco de resvalar para o fanatismo.
O fanático não admite outra expressão da Divindade que não seja aquela que ele adora. Devotos fanáticos têm ensanguentado campos de batalha em suspeitas “guerras santas”.
Enquanto o fanatismo cega, o discernimento ilumina.
O Bhakti Yoga pode corromper-se por fazer beatos inoperantes e indiferentes aos dramas de seu mundo, total e egoisticamente entregues às delícias da adoração e ao fervor dos rituais.
Um verdadeiro bhakta torna o seu servir oração. Ama o Deus dos homens servindo aos homens de Deus, seus irmãos.
O bhakta ama todas as expressões da vida que o circunda, pois tudo que vive e a própria vida são Deus; mas onde mais O adora é no altar de seu limpo, bom e ardente coração devoto.

Texto extraído das páginas 111 a 114 da 12ª edição, de 1996, do livro Yoga: caminho para Deus (1984), de José Hermógenes (Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 14 de junho de 2001.
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