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Ashtanga Yoga, o Yoga de Patañjali

Patanjali
» por Pedro Kupfer

Ashtanga Yoga é o sistema organizado pelo sábio Patañjali no Yoga Sutra. Esse sistema tem oito (asta) partes (angas): yama, niyama, asana, pranayama, pratyahara, dharana, dhyana e samadhi.

As duas primeiras partes, yama e niyama, são as proscrições (não ferir, não mentir, não roubar, não desvirtuar a sexualidade e não cobiçar nem se apegar), e prescrições (pureza, contentamento, austeridade, auto-estudo e auto-entrega ao Senhor) éticas.

Asana, o terceiro estágio, são as posturas fí­sicas e o trabalho sobre o corpo. A posição correta permite a prática de pranayama e pratyahara, os próximos passos.

Pranayama é o processo de expansão da energia vital, usando a respiração. Essas técnicas fortalecem o sistema nervoso, regulam o metabolismo e nos ajudam a manter sob controle as emoções, atitudes e pensamentos.

Pratyahara, a retração dos sentidos, é a faculdade de liberar a atividade sensorial do domí­nio das imagens exteriores. Serve para desvincular-nos da invasão das coisas do mundo exterior. Sem ele, é impossí­vel alcançar a meditação.

PatañjaliAsana, pranayama e pratyahara não são fins em si mesmos: objetivam unicamente dar ao praticante uma infraestrutura fí­sica e mental firme para que possa suportar as transformações decorrentes do despertar da energia potencial, a kundalini. Através dessas técnicas preliminares, úteis também para superar os obstáculos iniciais (dúvida, preguiça, angústia, dispersão, etc), o yogi se prepara para o objetivo final, que começa com a concentração.

Dharana, a concentração em um ponto só, se faz para limitar a atividade da consciência ao interior de um objeto. Essa unidirecionalidade da consciência não pode conseguir-se sem prática regular. Paradoxalmente, na prática de concentração não devemos forçar as coisas nem entrar em conflito com a nossa mente. Uma concentração forçada não é real, pois só provocará mais tensão.

Dhyana, a meditação, consiste em parar o fluxo do pensamento. A meditação é o resultado espontâneo da concentração da consciência, e constitui a preparação necessária para se atingir o objetivo do Yoga, o estado de iluminação. A meditação não pode ensinar-se. A rigor, instruções sobre como meditar terminam na concentração. Depois, o praticante deve continuar sozinho.

Samadhi é o estado de iluminação, em que o yogi se absorve no Purusha, a Consciência Universal. No samadhi, ele se defronta face a face com experiências totalmente inacessí­veis através do instinto ou da razão.

Yoga Prático




Pedro Kupfer

Texto extraí­do do livro Yoga Prático, de Pedro Kupfer.

Visite o site do Pedro em www.yoga.pro.br

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