A Acupuntura na visão de Herbert Ran Ichi (Aikido 6o Dan)

Esta apostila online tem o intuito de fornecer informações básicas sobre um tema muito falado e pouco conhecido nos tempos atuais: a Acupuntura e os tratamentos através da tradicional medicina oriental. Nasce do pedido de Da Maria Wilma Patrício de Oliveira, cliente e amiga, feito em minha clínica em Fortaleza.
Da Wilma solicitou-me um texto que lhe explicasse o funcionamento da Acupuntura. Ao responder-lhe que procuraria por um em minha biblioteca, ela me pediu que fosse algo escrito por mim.
Leiga, porém sensível, ela captou o que a muitos escapa: embora as leis da Acupuntura sejam universais, a sua aplicação passará, necessariamente, pela interpretação e sensibilidade de cada praticante.
Longe de ser um trabalho que mergulhe extensamente nos fundamentos teóricos, busco aqui apresentar um mui particular ponto de vista herdado de meu Mestre, e de outros que vieram antes dele: a concepção da Acupuntura como, mais do que uma prática terapêutica, um caminho para a cura, a saúde e a felicidade.
Ao dedicar esta leitura a essa amiga e benfeitora, não poderia deixar de fazê-lo também ao homem que me apresentou a ela – meu mais antigo cliente e amigo em Fortaleza, também o maior benemérito desde minha chegada a essa cidade -, o mais chinês dos cearenses, sempre constante e profundo: Paco Quezada. Quem o conhece sabe a que me refiro.
A ambos, a minha mais profunda gratidão e reconhecimento.
Lembro-me das primeiras palavras ditas pelo meu Mestre em minha primeira aula sobre a Teoria Geral da Medicina Oriental: “Toda doença nasce na mente”?.
A revelação de que a medicina oriental há mais de 5.000 anos já reconhecia o efeito da mente sobre o corpo – quando no ocidente esse conhecimento só ao final do século XX, e í custa de muita resistência, seria reconhecido – me deixou perplexo, e orientou o rumo de todas as minhas experiências com a Acupuntura.
Assim, ofereço esta pequena contribuição a todos os que, de coração aberto, procuram-na para melhorar a qualidade de suas vidas.
Aos que compartilham pontos de vista diferentes, lembro as palavras do físico Werner Heinsenberg, citadas na introdução do indispensável livro de Fritjof Capra, O Tao da Física:
“É bastante provável que na história do pensamento humano os desenvolvimentos mais fecundos ocorram, não raro, naqueles pontos para onde convergem duas linhas diversas de pensamento. Essas linhas talvez possuam raízes em segmentos bastante distintos da cultura humana, em tempos diversos, em diferentes ambientes culturais ou em tradições religiosas distintas. Dessa forma, se realmente chegam a um ponto de encontro – isto é, se chegam a se relacionar mutuamente de tal forma que se verifique uma interação real -, podemos esperar novos e interessantes desenvolvimentos a partir dessa convergência”.
Que as nossas vidas sejam úteis e o nosso trabalho um serviço í Luz!
Fortaleza, março de 2006.
Prof. Herbert Ran Ichi.
Introdução
Hoje, quando mais e mais pessoas falam sobre Acupuntura, submetem-se a ela e aplicam-na, quem a conhece realmente? Será que só os especialistas podem compreendê-la? Não é ela ligada a um corpo energético – portanto sensível – que nos permite observar os seus efeitos?
A Acupuntura segue leis naturais e interpreta o corpo humano como um microcosmo, que compartilha os mesmos princípios que regem todo o universo macrocósmico. É originária de uma visão simbólica e arquetípica da milenar cultura oriental.
Com mais de 5.000 anos de história registrada, a Acupuntura na verdade pertence a um aspecto mais original do pensamento oriental, conhecido como Princípio íšnico, ou Tao, que identifica duas forças básicas – aparentemente antagônicas mas, na verdade, complementares -, dando forma ao nosso universo dual: o Yang e o Yin, ou: o céu e a terra, o dia e a noite, o calor e o frio, o largo e o estreito, a esquerda e a direita, o profundo e o raso, em cima e embaixo, dentro e fora, o pólo positivo e o pólo negativo, e por aí vai…
O equilíbrio entre essas forças torna este universo estável e criativo, assim como o desequilíbrio entre elas torna-o autodestrutivo. Vide os efeitos do clima em nosso planeta: o excesso de calor ou de frio impossibilita a biodiversidade, que floresce em locais de clima mais equilibrado, como na mata atlântica brasileira, de clima temperado, ou na floresta amazônica, com suas estações regulares de chuva e calor.
Buscar esse equilíbrio na natureza humana é a finalidade da Acupuntura, assim como de todas as escolas de tratamento orientais, ou da Medicina Tradicional Oriental. Para isso, observam-se as tais leis naturais que determinam o fluxo de Ki, ou Chi, a energia primordial, onde o Yang e o Yin circulam, exercendo o seu papel, assim como a hemoglobina circula pelo fluxo de sangue, e a clorofila pela seiva.
Antigamente, digo dez ou quinze anos atrás, a Acupuntura era condenada pelos Conselhos Médicos, e seus praticantes acusados de charlatanismo e perseguidos. Hoje, inúmeros projetos tramitam no Congresso Nacional, estabelecendo a Acupuntura como atividade exclusivamente médica. Enquanto o móvel dessa disputa é o lucro, milhares de pessoas que buscam os benefícios da Acupuntura vêm-se perdidas pela oferta crescente de profissionais formados sem o devido cuidado ou conhecimento – terapeutas alternativos, médicos, fisioterapeutas, odontólogos, psicólogos -, alguns bem intencionados, outros movidos por cobiça ou vaidade. Essas pessoas não encontram resultados em seus tratamentos e voltam í s drogas, com seus efeitos colaterais e sua dependência, desacreditando da Medicina Oriental.
Afortunadamente, um número crescente desses profissionais tem também se dedicado a ela seriamente, buscando compreendê-la como ela é: um extenso conhecimento bioenergético que deve ser vivido, além de estudado, e vem obtendo bons resultados em seus tratamentos. E no Oriente a Tradição gera sempre Mestres, para a nossa felicidade!

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